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Ouvir é um direito, CAUSAR a surdez é um absurdo
Nascemos envolvidos por sons dos mais variados e ao ouvi-los somos como que convidados a descobrir de onde eles procedem e qual o significado que possuem. No sentido positivo, sons podem encantar-nos, sons podem nos fazer acordar, entusiasmar, alertar, acalmar, aproximar do passado, mergulhar no presente e pensar no futuro. Por outro lado, no sentido negativo, sons podem incomodar, irritar, cansar, confundir, tirar nossa atenção e até mesmo a audição em muitas situações. Caríssimos leitores, como nossos ouvidos estão sendo tratados por nós mesmos e o que temos proporcionado aos ouvidos dos outros? Como já dissemos ouvir é um direito, mas isso não nos dá direito de viver dando ouvidos àquilo que faz mal a nossa alma, a nossa psique, ao nosso coração ou a nossa mente. Por isso, mantenhamos os ouvidos sempre abertos ao que é bom, ao que é justo e de boa fama, ao que enobrece a vida e que a reveste de virtude, fazendo brotar nela, de dentro para fora, a verdadeira alegria. Não resta a menor dúvida de que existem muitos absurdos sendo praticados em nosso mundo. Possivelmente, um dos principais seja a atitude irresponsável com que temos tratado o aparelho auditivo e a nossa relação com aquilo que ouvimos. No que se refere ao aparelho auditivo, atualmente alvo de muitos outros aparelhos criados pelo homem, observamos um verdadeiro bombardeio com relação ao mesmo, um bombardeio de ruídos potencialmente e exageradamente altos, muitos dos quais vazios de sentido e de conteúdo, sons que ao invés de promover saúde acabam por provocar mais doenças. Finalmente, ainda que conceder vez e ‘voz’ ao silêncio esteja fora de moda e soe como algo absurdo para alguns, será algo impossível harmonizar sons de tal maneira que todos sejam beneficiados? Será que não podemos aprender e ensinar que o respeito aos ouvidos e a audição pode impedir o aceleramento da surdez do corpo e da alma? Será que não podemos iniciar um novo tempo aonde a maior parte entenda que a autoridade de uma pessoa não é medida pelo volume alto de sua voz, mas pela sua atitude de obediência a Alguém que lhe é superior? Será que estamos esquecendo que a melhor música não é necessariamente a que é mais tocada, mas a que mais toca em nosso espírito? Será que é Deus que não nos ouve mais ou somos nós que não ouvimos mais a Deus? Disse Jesus: As minhas ovelhas ouvem a minha voz; Eu as conheço, e elas me seguem. (Jo 10.27)
Soli Deo gloria.
Uéslei Fatareli, rev. ms. |
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Hora Tranquila